Brasília – A capital federal foi palco de um importante encontro voltado ao fortalecimento da autonomia econômica dos povos indígenas e à ampliação de oportunidades produtivas em comunidades tradicionais. Lideranças indígenas, representantes do setor público, empresários do agronegócio e integrantes de organizações da sociedade civil se reuniram para discutir estratégias de desenvolvimento sustentável e cooperação econômica voltadas às aldeias do Mato Grosso do Sul.
Publicado em 06 de março de 2026 • às 09h07
A iniciativa foi conduzida pela presidente do Agro Indígena Nacional, Elisangela Lima, que esteve acompanhada do conselheiro indígena Sebastião Terena e de lideranças do Mato Grosso do Sul, entre elas Lisio Lili e Hilário Kadiwéu. O encontro teve como principal objetivo estruturar os primeiros passos para a criação da Cooperativa Estadual Indígena do Mato Grosso do Sul (COOPEIMASUL).
A proposta da cooperativa surge como um caminho para integrar conhecimento tradicional, produção sustentável e gestão moderna, promovendo o crescimento econômico com respeito às identidades culturais e ao meio ambiente. A expectativa é que a COOPEIMASUL contribua para criar oportunidades reais para produtores indígenas, ampliando sua presença no mercado e valorizando práticas produtivas responsáveis.
Durante a reunião, representantes do Governo Federal demonstraram interesse em apoiar a iniciativa. O Ministério da Agricultura e Pecuária participou por meio de seu representante, Roldão Lima, que destacou a importância de fortalecer canais institucionais capazes de incentivar a produção agrícola indígena e facilitar o acesso a políticas públicas voltadas ao setor.
O setor empresarial também esteve presente nas discussões, contribuindo com experiências de mercado e perspectivas de integração da futura cooperativa às cadeias produtivas regionais. Empresários do Mato Grosso do Sul, como Celso Vagas e Márcio Tomazelli, apresentaram visões estratégicas sobre comercialização, logística e expansão da produção agrícola, apontando caminhos para que a cooperativa se consolide de forma competitiva e sustentável.
Outro destaque do encontro foi a participação de especialistas ligados ao desenvolvimento agrícola e à viabilidade de grandes projetos no campo. Representando a JVM Agro, Jarbas Valdir e Aldir Pergher trouxeram contribuições técnicas relacionadas à infraestrutura, logística e planejamento produtivo, elementos considerados essenciais para o sucesso de iniciativas agrícolas em maior escala.
Além das discussões institucionais e de mercado, o encontro também avançou em temas estruturais para a consolidação da cooperativa. Entre os pontos debatidos esteve a estrutura jurídica necessária para formalizar a COOPEIMASUL, garantindo segurança institucional, transparência e governança adequada para a gestão da entidade.
A captação de recursos foi apontada como outra prioridade. Os participantes discutiram estratégias para aproximar investidores privados e fundos de investimento interessados em apoiar projetos produtivos sustentáveis em territórios indígenas. O objetivo é assegurar recursos financeiros capazes de impulsionar projetos agrícolas, infraestrutura produtiva e capacitação das comunidades.
A pauta ambiental também ganhou destaque nas discussões. A Abrasocial MT participou do encontro por meio de Claudecir Márcio, que apresentou propostas de assessoria técnica voltadas ao reflorestamento produtivo e ao uso de fertilizantes organominerais. A iniciativa busca unir inovação tecnológica e preservação ambiental, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e para o fortalecimento de uma produção mais eficiente e sustentável.
Segundo os organizadores, a criação da cooperativa representa um passo estratégico para ampliar a participação indígena no agronegócio brasileiro, valorizando conhecimentos tradicionais e promovendo novas oportunidades de geração de renda nas aldeias.
Após a articulação realizada em Brasília, os próximos passos envolvem a formalização documental da cooperativa e o início de consultorias técnicas diretamente no Mato Grosso do Sul. A expectativa é que a COOPEIMASUL se torne um modelo de organização produtiva indígena, servindo de referência para iniciativas semelhantes em outras regiões do país e contribuindo para o fortalecimento do agro indígena no Brasil.
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